Desmitificando os Relacionamentos Interculturais

Os relacionamentos afetivos são oportunidades únicas para o desenvolvimento interno. Motivo: podemos aprender quem realmente somos quando nos diferenciamos e nos confrontamos com o outro. E a relação a dois oferece esse espaço para conhecimento, pois a convivência é intensa e muitas influências entram em jogo.

No início entramos na relação com o nosso imaginário, o nosso ideal de parceiro ou parceira. Fantasiamos esse outro, que no início parece correspoder nosso desejo. Depois com o tempo de convivência com esse outro, percebemos que o imaginávamos não bate bem com a realidade. Esse é o momento de conhecimento do outro e de si mesma.

As fantasias caem por terra e a realidade bate a porta. Muitos casais não sobrevivem essa fase é outros vão compreender que os desafios e as alegrias fazem parte de uma relação amorosa. Trabalho diário, com suas dificuldades e conquistas. Essa realidade é vivida por casais no mundo inteiro.

Casar ou se relacionar com alguém de outra cultura, nacionalidade, enfim, outro mundo, não indica que esse casal binacional, ou intercultural não irá enfrentar desafios. Pelo contrário, há uma tendência maior de confrontação. Por conta das diferenças culturias.

Há uma tendência de criar no imaginário um homem que vem do estrangeiro e que, como nas histórias da Disney, o amor romântico irá acontecer e nada será abalado.

Além desse casal vivenciar problemas que são típicos da vida a dois, eles serão confrontados com suas diferenças individuais e ainda as culturais.

E como nos casais monoculturais, esse relacionamento pode vir a ser uma relação de poder, de controle, de manipulação psicológica. Sendo uma relação abusiva. O que é um agravante se uma das partes, como a mulher, é dependente do parceiro por viver fora do Brasil.

O sonho do príncipe estrangeiro pode vir a ser uma grande decepção e um trauma. Tenhamos cuidado. Abusadores não têm nacionalidade, têm transtorno de personalidade.

Temos sim o direito de viver nosso amor, o nosso relacionamento com alguém de outra cultura. Porém, confrontando fantasia com realidade, confesso que é tarefa nada fácil, mas necessária. Estamos lidando com vidas reais.